'Voltamos à ditadura?', diz mãe de jovem em júri de ex-policiais acusados de matá-lo em abordagem no RS

  • 30/06/2026
(Foto: Reprodução)
'Voltamos à ditadura?', diz mãe de jovem em júri de ex-policiais acusados de matá-lo Iniciou nesta segunda-feira (2,) em São Gabriel, o júri popular dos três policiais acusados de envolvimento na morte do jovem Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos. O caso aconteceu em agosto de 2022. Os réus, os ex-policiais militares Arleu Jacobsen, Cleber Lima e Raul Veras Pedroso são acusados de homicídio qualificado por motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp As primeiras testemunhas ouvidas foram os pais da vítima e o delegado da Polícia Civil responsável pela investigação na época. Por cerca de uma hora, cada um, Rosane Machado Marques e Anderson Cavalheiro relataram a dor da perda e contestaram a versão dos policiais de que teriam apenas dado uma carona ao jovem. Rosane revelou a última vez que conversou com o filho, através de ligação telefônica, horas antes dele ser abordado pela guarnição da Brigada Militar. Segundo ela, Gabriel ligou para pedir autorização aos pais para sair. “Voltamos à ditadura? O que meu filho fez de tão grave para ser morto à pauladas?” , questionou Rosane Marques. O pai do jovem também relatou como a família teve conhecimento do desaparecimento de Gabriel e do início das buscas. “Botava meia dúzia de pessoas no meu carro, alguns guris a cavalo e íamos procurar por ele. Nós já não acreditávamos que ele estava por ali (região da barragem do Lava-Pé)”, argumentou Cavalheiro ao ser questionado sobre as buscas pelo filho. O terceiro a prestar depoimento foi o delegado responsável pelo inquérito policial, José Soares Bastos. Por quase três horas o investigador detalhou as provas reunidas, apontando indícios de agressões físicas antes da morte. Para o delegado, a abordagem truculenta teria sido fatal. “Fiz o inquérito apontando os policiais e tenho convicção que foram aquelas agressões que mataram o jovem”, define o delegado. Ainda conforme o investigador, testemunhas relataram à polícia que o soldado Raul Veras Pedroso teria feito os golpes no jovem e que o corpo de Gabriel, quando retirado da água, apresentava marcas de agressão. Conforme laudo do IGP, a causa da morte de Gabriel Marques Cavalheiro foi uma hemorragia interna na região do pescoço. "Eu disse 'voltamos à ditadura', porque agora eles batem, matam, fazem tudo, escondem corpos e parece que é que nem a ditadura, que antigamente enterrava os corpos e ninguém achava. A pessoa jogou o Gabriel no açude para se desmanchar e nunca mais achar ele", completou a mãe, após o júri. Ao longo do depoimento do delegado, os advogados de defesa dos ex-policiais e a promotoria debateram. Uma prévia do que deve acontecer durante as sustentações. O júri encerrou por volta das 21h30 com o depoimento de um morador da localidade, próximo da barragem onde o corpo do jovem foi encontrado. Nesta terça-feira, a última testemunha de acusação será ouvida. Ao todo, o júri ouvirá 20 testemunhas, além do interrogatório dos três ex-policiais. Os trabalhos foram retomados às 9h. Vídeo mostra abordagem a jovem desaparecido em São Gabriel Relembre o caso O jovem, de 18 anos, foi encontrado morto em um açude, na localidade de Lava Pé, em São Gabriel. Segundo a denúncia, momentos antes, ele teria sido abordado por policiais e teria sido agredido por um deles com golpes de cassetete na região cervical. A abordagem foi gravada em vídeo. Gabriel Marques Cavalheiro se mudou de Guaíba, onde morava com os pais, para São Gabriel, onde iria prestar o serviço militar obrigatório. O jovem estava hospedado na casa de um tio, mas a irmã também morava na cidade. Ele desapareceu após ser abordado por três policiais militares na Avenida Sete de Setembro. Uma vizinha da casa em que ele estava hospedado chamou a polícia porque, segundo ela, o jovem estaria forçando o portão que dá para o pátio em frente ao imóvel. Os policiais teriam agredido Gabriel, que foi imobilizado e levado para dentro de uma viatura militar. Testemunhas disseram que ele foi atingido por "pelo menos dois ou três golpes de cassete". Essa foi a última vez que Gabriel teria sido visto com vida. O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois do desaparecimento, submerso em um açude na localidade. No mesmo dia, três PMs suspeitos do assassinato foram presos. O que dizem as defesas Jean Severo, advogado dos ex-soldados Cléber Lima e Raul Veras Pedroso: “A defesa está muito tranquila, porque o Conselho de Sentença de São Gabriel vai entender o que realmente aconteceu naquela noite fatídica. Esses homens são inocentes e certamente serão absolvidos.” Maurício Custódio, advogado do ex-sargento Arleu Jacobsen: “Arleu é inocente, isso não há dúvida alguma. Iremos demonstrar ao povo são-gabrielense que essa foi uma das maiores injustiças cometidas contra um cidadão brasileiro.” Rosane Marques (à direita) prestou depoimento em júri de ex-policiais acusados de matar o filho dela, Gabriel Marques Cavalheiro (esquerda) Arquivo pessoal e Reprodução/RBS TV O que diz o Ministério Público O promotor de justiça Eugênio Amorim afirmou que o MP vai buscar a condenação dos réus: “Não podemos trazer Gabriel de volta, mas ao menos impedir que esta família tenha um segundo luto, o da injustiça e da impunidade. O Ministério Público vai forte, vai firme e vai buscar a condenação.” Gabriel Marques Cavalheiro Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/06/30/mae-de-jovem-em-juri-de-ex-policiais-acusados-de-mata-lo-em-abordagem-no-rs.ghtml


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