Condenado por falsa doação de R$ 1 milhão, Nego Di 'usou enchente para benefício próprio' e só enviou R$ 100, diz promotor

  • 24/06/2026
(Foto: Reprodução)
Nego Di publicou recibo falso de doação de R$ 1 milhão, mas só enviou R$ 100, diz promotor O influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, foi condenado nesta terça-feira (23) por crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. A sentença aponta que o humorista e a esposa, Gabriela Vicente de Sousa, atuaram em um esquema que envolvia rifas virtuais irregulares, ocultação de valores e uso de documentos falsos. O uso de um recibo falso para fingir que havia doado R$ 1 milhão para apoiar às vítimas da enchente histórica de 2024 no Rio Grande do Sul foi um dos motivos que levaram Nego Di a ser condenado pela Justiça. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O promotor de Justiça Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, salienta a importância que teve a questão do recibo falso no processo. Durante a investigação, o Ministério Público (MPRS) comprovou que, na verdade, ele havia doado apenas R$ 100 e modificou o comprovante da transferência. "Ele fez uma doação de R$ 100 e expôs nas mídias sociais essa doação como se tivesse sido feita no valor de R$ 1 milhão, obtendo com isso um engajamento, um número maior de seguidores, que refletiu depois em ganhos patrimoniais. Ele usou a enchente para benefício próprio, recebendo um retorno financeiro a partir da utilização de um documento que depois se comprovou falso", explica o promotor. No total, Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além de uma pena adicional de 1 ano e 15 dias por promover uma loteria ilegal. Já Gabriela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão, também em regime fechado, por lavagem de dinheiro. As penas incluem ainda pagamento de dias-multa, calculados com base no salário mínimo vigente à época dos fatos. O g1 entrou em contato com a advogada Camila Kersch, responsável pela defesa de Dilson, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Também foi questionado se a esposa é representada pela mesma defesa. Nego Di anunciou doação de R$ 1 milhão para vítimas da enchente no RS, mas só enviou R$ 100, diz promotor Reprodução/Redes sociais Doação falsa Em um vídeo publicado na época nas redes sociais, Nego Di declarou: "A gente fez essa escolha de coração. Decidi doar um milhão de reais pro Rio Grande do Sul. Eu mandei R$ 1 milhão para a vaquinha do meu parceiro Badin". Para a Justiça, a conduta foi intencional e houve plena consciência da falsidade, com o objetivo de induzir a coletividade em erro ao atribuir ao influenciador uma doação que não ocorreu. A participação de Gabriela, segundo a decisão, foi essencial para o funcionamento do esquema. O juiz Ricardo Petry Andrade afirmou que ela cedeu contas e estruturas financeiras para movimentar os recursos de origem ilícita e também se beneficiou da aquisição de bens. No caso do comprovante de doação, o magistrado considerou que houve adulteração consciente do valor antes da divulgação nas redes sociais, para enganar os seguidores. Nego Di; Gabriela Vicente de Sousa, esposa do humorista Arquivo pessoal; Redes sociais/Divulgação Entenda os crimes O humorista também foi responsabilizado por promover rifas sem autorização legal. Conforme a denúncia, foram pelo menos 34 sorteios realizados entre novembro de 2022 e maio de 2024, divulgados nas redes sociais e vinculados à venda de bilhetes. Nego Di teria fraudado rifa e simulado contato com ganhadora de Porsche As ações eram divulgadas nas redes sociais, com oferta de prêmios em dinheiro e bens mediante a venda de bilhetes. O juiz destacou que a prática não foi isolada, mas sim uma atividade estruturada e reiterada, com grande alcance e movimentação superior a R$ 2,5 milhões. Na decisão, o magistrado também afastou a alegação de desconhecimento da ilegalidade, afirmando que, pelo volume financeiro e pela natureza da atividade, havia dever de o influenciador se informar sobre a legalidade das ações. De acordo com a sentença, o influenciador simulava sorteios de prêmios de alto valor para atrair compradores de rifas. Um dos casos citados envolve um Porsche Macan avaliado em R$ 500 mil. O juiz concluiu que não havia intenção real de entregar o prêmio, caracterizando o crime. A decisão também menciona encenação para dar aparência de legalidade, incluindo o suposto contato com uma vencedora. Para a Justiça, ficaram comprovados o prejuízo das vítimas, a obtenção de vantagem ilícita e a indução ao erro, atingindo ao menos 9.683 pessoas, com prejuízo total de R$ 185,3 mil. Segundo a sentença, após a obtenção dos valores com as rifas, Dilson e Gabriela passaram a atuar para ocultar a origem ilícita do dinheiro. De acordo com a decisão, o esquema envolveu o uso de contas bancárias em nome da própria Gabriela e de uma empresa do casal, além de contas de terceiros. Os valores eram transferidos entre diferentes contas e misturados a recursos de origem lícita, o que, conforme o juiz, dificultava o rastreamento. A Justiça também apontou a aquisição de bens com aparência de legalidade. O magistrado classificou a operação como um esquema sofisticado, estruturado em múltiplas camadas, e destacou que a participação de Gabriela foi essencial para viabilizar a movimentação de mais de R$ 2,4 milhões. Loja virtual “Tadizuera” Além da condenação desta terça-feira, o influenciador também responde a outro processo envolvendo a loja virtual “Tá Di Zueira”. Entre março e julho de 2022, Nego Di e seu sócio, Anderson Boneti, teriam lesado mais de 370 pessoas por meio da loja virtual Tá Di Zueira, causando prejuízo estimado em R$ 5 milhões, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público. Há também registros de crimes cometidos entre março e julho de 2021, com 16 vítimas em Canoas. Esses casos foram considerados em uma decisão judicial proferida em 2025 (saiba mais abaixo). O inquérito policial foi concluído em agosto de 2023, com pedido de prisão preventiva. Em julho de 2024, o MP se manifestou favoravelmente à prisão, e a Justiça decretou a medida no mesmo dia. Nego Di é preso por golpe Em seguida, Nego Di foi preso preventivamente em Florianópolis (SC) e permaneceu na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) por mais de quatro meses. Em novembro do mesmo ano, o STJ concedeu liberdade provisória por meio de habeas corpus. Nego Di deixa presídio em Canoas Após a soltura, o influenciador passou a cumprir medidas cautelares, como proibição de uso de redes sociais, entrega de passaporte e comparecimento periódico em juízo. Após violar essas medidas com postagens nas redes, foi advertido pela Justiça. Em junho de 2025, Nego Di e Anderson Boneti foram condenados em primeira instância a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por estelionato no caso da Tadizuera. A prisão, no entanto, só será efetivada após o trânsito em julgado, de acordo com a Justiça. Em outubro de 2025, a 29ª Promotoria de Justiça Criminal de Porto Alegre tornou o humorista e o sócio dele, Anderson Boneti (que está preso por outro processo envolvendo a loja), réus em mais uma ação penal por estelionato. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/06/24/nego-di-usou-enchente-para-beneficio-proprio-e-so-enviou-r-100-diz-promotor.ghtml


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