Caso João Couto Neto: Médico acusado por mortes de pacientes após cirurgias irá a júri no RS

  • 05/02/2026
(Foto: Reprodução)
Médico João Couto irá a júri pela morte de pacientes no RS A Justiça decidiu que João Batista do Couto Neto será julgado pelo Tribunal do Júri. O médico é acusado de seis homicídios qualificados (motivo torpe e meio cruel) de pacientes. A decisão sobre o julgamento foi divulgada na quarta-feira (4). Cabe recurso. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MPRS), os crimes foram cometidos por omissão dolosa durante cirurgias e no atendimento pós-operatório. Em cinco dos casos, as vítimas tinham mais de 60 anos. A data do julgamento ainda não foi definida. O juiz Flávio Curvello Martins de Souza, da 1ª Vara Criminal de Novo Hamburgo, excluiu a qualificadora de impossibilidade de defesa das vítimas. Em nota, o advogado Brunno de Lia de Pires informou que "a defesa recebe com serenidade a decisão" e que "a decisão não analisa o mérito da causa, tampouco conclui pela culpa do profissional". A defesa informou que irá recorrer. Leia a íntegra abaixo A denúncia Conforme a acusação, os crimes ocorreram entre 2010 e 2022, após cirurgias realizadas em Novo Hamburgo. O MP afirma que o réu deixou de adotar técnicas adequadas de higiene, investigação de condições clínicas, registro de histórico, informações precisas aos pacientes e escolha correta do método cirúrgico. As mortes envolveram quatro homens e duas mulheres, entre 55 e 80 anos, que apresentaram complicações como sepse e falência de múltiplos órgãos. As imputações estão reunidas em duas ações penais, com três homicídios atribuídos a cada processo. Cerca de 60 testemunhas e informantes foram ouvidos ao longo da instrução. O juiz autorizou que o réu responda ao julgamento em liberdade, mas manteve medidas cautelares: suspensão integral do exercício da medicina proibição de sair da Comarca de Novo Hamburgo sem autorização proibição de contato com vítimas, familiares, testemunhas e pacientes proibição de frequentar estabelecimentos médicos, exceto na condição de paciente O Ministério Público sustenta que o médico assumiu o risco pelas mortes ao se omitir durante procedimentos e no acompanhamento clínico. Além dos processos pelos quais ele já é réu, o médico responde a mais de cem inquéritos policiais, sob suspeita de ter provocado a morte de ao menos 40 pacientes e causado lesões corporais em outros 108. João Couto RBS TV/Reprodução Série aborda o caso A série documental "Quebra de Juramento - um médico no banco dos réus" estreiou no Globoplay em 8 de janeiro e mergulha nos bastidores da investigação contra João Couto Neto. Com três episódios, a produção revela detalhes inéditos sobre o caso. Especialista em cirurgias por videolaparoscopia, principalmente de hérnia, vesícula e endometriose, João era um dos médicos mais requisitados da região e afirmava ter realizado mais de 25 mil procedimentos em 19 anos de carreira. Nota da defesa de João Couto Neto "A defesa recebe com serenidade a decisão que determinou a submissão do caso ao Tribunal do Júri. É importante esclarecer que a referida decisão não analisa o mérito da causa, tampouco conclui pela culpa do profissional. Trata-se de decisão de natureza processual, que apenas reconhece a existência de dúvida quanto aos fatos, entendendo que, nessa hipótese, a apreciação deve ser feita pelo Tribunal do Júri. A defesa discorda desse entendimento e irá interpor recurso, por compreender que os autos contêm elementos claros e objetivos que afastam qualquer imputação de culpa ao médico, bem como prova categórica da inexistência de dolo eventual, requisito indispensável para a configuração do crime imputado. Desde o início, a atuação do profissional foi pautada pela técnica, pela ética e pelo compromisso com a vida, não havendo qualquer demonstração de que tenha assumido o risco de produzir o resultado que lhe é imputado. A defesa confia que, com o exame aprofundado das provas pelas instâncias competentes, ficará plenamente demonstrada a improcedência da acusação e a total inocência do médico. Brunno de Lia Pires" Médico João Couto Neto Reprodução VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/05/caso-joao-couto-neto-medico-acusado-por-mortes-de-pacientes-apos-cirurgias-ira-a-juri-no-rs.ghtml


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